
Aos poucos o Piauí vem se adaptando as novas formas de transmissão de imagem em TV que vêm ocorrendo no mundo. No aniversário da capital do Estado, no último dia 16 de agosto, mais uma rede filiada de Teresina passou a oferecer o sistema digital de transmissão em sua grade de programação.
Desta forma, o público passa a ter melhor qualidade de imagem e som, sem chuviscos e ruídos, numa transmissão limpa e com recursos adicionais que outrora era impossível por meio do modelo analógico. No entanto, usufruir destes dispositivos tecnológicos só é possível através de conversores de imagem e através da entrada UHF (presente nos televisores), onde se encontram os canais digitais.
Muitas TVs comercializadas no mercado já vêm com os dispositivos necessários, mas o aparelho conversor é encontrado facilmente e vendido separadamente nas lojas, pronto para ser acoplado numa TV. Neste primeiro momento, apenas Teresina capta o sinal digital, mas num fu-turo próximo, de acordo com es-pecialistas, outras regiões passarão a recebê-la. Apesar das mudanças, o sistema analógico continua operante, atendendo ao público que ainda não possui estes recursos. A meta do Governo Federal é de que até o ano de 2016 todas as redes de televisão do país já tenham o sinal digital.
"A principal diferença entre os modelos analógicos e digitais é a qualidade na captação e transmissão das imagens. Com o modelo digital, os possíveis erros são corrigidos de forma mais rápida através do corretor de erro, porque se tem menor variação nos sinais de transmissão, que variam de zero a um. Com isso, o espaço de tempo da origem da imagem até chegar ao telespecta-dor fica mínimo. O que não acontece com o modelo analó-gico, que possui vários picos na variação que podem provocar chiados e chuviscos", explicou o diretor de engenharia, Sérgio Paiva, que trabalha em uma das TVs locais do Piauí e participou ativamente na mudança do novo modelo.
Segundo ele, foram três anos até o dia da inauguração. "Para que o telespectador tenha a ima-gem em boa resolução, muitas adaptações foram feitas na forma de se fazer TV, tanto de equipamentos quanto no treinamento dos profissionais ligados diretamente nas transmissões. Não é só mudança de tecnologia, é também mudança de conceito. Principalmente porque as preocupações agora se multiplicaram para manter no ar o modelo analógico e digital ao mesmo tempo", conta.
Programação não para mesmo com o "apagão"
Sérgio Paiva diz que as emissoras de televisão passaram a se preocupar também com o público que utiliza equipamentos móveis para se manterem informados. Ele relata que, mesmo se a cidade passar por um apagão, a transmissão continua tanto no modelo analógico como no digital, por mais que no primeiro caso não tenha público assistindo, a programação não para. "Se a pessoa tem como acessar a transmissão da TV pelo celular ou outro mecanismo móvel que capte o sinal digital, ele vai continuar assistindo a programação sem nenhum problema. Ou seja, são três tipos de público", observa.
No mundo existem basicamente dois sistemas de transmissão digital. A adotada pelo Governo Federal do Brasil foi o modelo japonês em detrimento ao modelo europeu, que era a grande dúvida do governo no momento de escolher a que melhor se encaixaria na realidade e necessidades do público brasileiro. E as principais vantagens da tecnologia são a gratuidade, a portabilidade, maior quantidade de canais de áudio (que pode chegar a 16) e a tão almejada interatividade.
Ela faz com que o telespec-tador saiba um pouco mais sobre o artista ou apresentador de um dado programa acionando grades de interatividade. Além de poder consultar quais programas serão exibidos em determinados horários, com descrições de suas características, assim como ocorre nos canais pagos pelas TVs por assinatura.
A venda de TVs de tela plana com o conversor de imagem embutido vem ganhando cada vez mais o mercado e os proprietários de lojas barateando os preços, seguindo a lógica da oferta e da procura. O período de maiores vendas está nas datas especificadas do calendário como as festas de fim de ano, do qual as lojas estampam as liquidações e as facilidades de pagamento para atrair a clientela.
Vendas das novas TVs ganharam maior impulso
Com a realização da Copa do Mundo de Futebol, este ano, a paixão do brasileiro pelo esporte refletiu no aumento nas vendas, por exemplo, das TVs de 32 polegadas, que custam em média R$ 1.399. Há lojas que registraram a saída de mais de 300 aparelhos na véspera do início do torneio. É o que confirma o gerente Fábio Prudêncio, de uma loja situada no Centro de Teresina. De acordo com ele, as vendas deram uma esfriada nestes dois últimos meses, mas os clientes ainda procuram os televisores.
"Eles querem trocar o aparelho por outro de tela maior. Antes, muitos clientes não sabiam o que era e para que servia a quantidade de recursos que o aparelho oferecia, mas aos poucos sinto que isso vem mudando. Hoje, boa parte deles já vem cientes do que se tratam os termos Plasma, LCD, Full HD, conversor para TV digital".
Fábio diz que as TVs de tubo ainda são procuradas, principalmente as de 29 polegadas, que ficaram mais baratas no comércio varejista. "Se para um trabalhador era quase impossível ter uma TV deste tamanho, atualmente está bem mais fácil. Com R$ 600 se leva uma de 29' em várias parcelas no cartão de crédito ou no carnê da loja". Os conversores vendidos separadamente dos aparelhos televisivos são encontrados ao custo de R$ 400 a R$ 500 nas lojas de eletrodomésticos e eletrônicos.
CANAIS PAGOS - A base de assinantes de TV paga atingiu o número de 8,6 milhões de casas ao final de julho deste ano, após o incremento de 173.727 assinantes no mês passado, segundo dados da Anatel.
No ano a alta acumulada é de 15,1%. Apenas no mês de julho a expansão é de 2,1% em relação à base de assinantes do mês anterior. Considerando o número médio de pessoas por domicílio divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) --de 3,3 pessoas--, os serviços de TV por assinatura atingem, atualmente, mais de 28,4 milhões de brasileiros.
Ainda de acordo com a Anatel, em julho o serviço prestado pelo DTH cresceu 3,8%. Pela TV a cabo a expansão de assinantes foi de 0,9% e pela tecnologia MMDS houve queda de 0,7%.
Os serviços de TV por Assinatura são prestados por sinais codificados por meio de diferentes tecnologias: meios físicos (TV a Cabo - TVC), micro-ondas (Distribuição de Sinais Multiponto Multicanais - MMDS) e satélite (Distribuição de Sinais de Televisão e de Áudio por Assinatura via Satélite - DTH).
Como consequência da expansão dos serviços de DTH nos últimos meses, a participação da TV por assinatura via satélite cresceu em relação aos serviços prestados via TV a Cabo e MMDS.
Em janeiro deste ano, os serviços de DTH representavam 37,4% e os serviços prestados via TV a cabo eram 57,9% dos serviços de TV por assinatura. Ao fim de julho de 2010, a participação dos serviços via satélite atingiu 42,2% da base e os a cabo passaram a atender 53,9% dos assinantes. Do Diário do Povo. Por Edienari dos Anjos, repórter de Cidade.